O Preço da Civilização

Os Estados Unidos da América, tido como os motores e líderes da economia mundial por longo período na história contemporânea, hoje encontra-se em grave crise, e sob a batuta do presidente Barack Obama a nação tem se reerguido lentamente.

Mas porque isso acontece? O capitalismo estaria fadado ao fracasso, e o modelo como um todo está se rompendo?

Segundo o livro “O Preço da Civilização” de um dos maiores economistas do mundo, não é exatamente isso, mas ao menos o modelo norte-americano foi superado, e a continuidade nos erros os levarão a uma derrocada. É a hora da mudança.

Jeffrey David Sachs atualmente com 57 anos, é um dos mais respeitados economistas do mundo, foi conselheiro econômico de diversos governos da América Latina, do Leste Europeu, da extinta União Soviética, da Ásia e de África, no FMI, no Banco Mundial, na OCDE, na Organização Mundial de Saúde e no Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. É também diretor do Projeto do Milênio das Nações Unidas e Associado de Investigação do National Bureau of Economic Research, além de professor da Universidade de Columbia nos EUA.

Apesar de reconhecidamente neoliberal, Sachs tem voltado suas análises para as políticas públicas, que se mostram omissas com a pobreza, com a saúde, e crescimento econômico não sustentável. Polêmico por onde já atuou, Sachs defende que há responsabilidade dos ricos quanto aos mais pobres, idéia evidenciada em seu livro anterior “O Fim da Pobreza” lançado em 2005, onde argumenta que a impraticabilidade de governança na África, deve-se à falta de recursos financeiros da mesma, propondo que a ajuda internacional fosse triplicada até 2015.

Justamente por não ser um crítico do capitalismo, e sim da gestão política no capitalismo, sua explanação se torna tão rica e interessante. Normalmente estamos acostumados a ver os críticos querendo romper com a lógica vigente, enquanto os demais se posicionam a favor de uma continuidade controlada, com algumas concessões para a manter vigente. Mas Sachs não faz isso, ele é um crítico de toda a política ineficaz, que não acompanha a voracidade dos mercados, e aconselha que caminhos seguir para a construção de um capitalismo funcional, que garanta as oportunidades.

Em um trecho de uma entrevista concedida à Revista Época, Sachs explica que “os governos deveriam se preocupar com a pobreza. A pobreza é um tipo de armadilha. Se uma criança cresce pobre no Brasil ou nos Estados Unidos, as chances de ela atingir todo seu potencial são pequenas. O desempenho escolar é inadequado, as chances de chegar à universidade são bem pequenas, as consequências para a saúde podem ser bem severas, ela pode morrer mais cedo, ficar mais doente. Fome na primeira infância pode criar problemas para a vida toda. O governo tem uma grande responsabilidade em mantê-las fora da armadilha da pobreza. No final, o governo tem duas responsabilidades: uma, de garantir que os ricos paguem os impostos que devem, para apoiar a sociedade; e a segunda, que os ricos não transformem o dinheiro em poder político. Porque se o poder for vendido aos ricos, a qualidade da democracia se deteriora tremendamente. Tudo que a sociedade quer, equidade, sustentabilidade ambiental, prosperidade, é colocado em risco”

Além da pobreza, Sachs ataca a falta de preparo, pois os jovens norte-americanos (assim como os brasileiros) não estão mais alcançando bons índices educacionais, e o país tem retirado seus investimentos nessas áreas, conforme a economia se complica, e os impostos foram sendo rebaixados nas últimas décadas, juntamente com o aumento dos gastos militares com treinamento e participação em guerras. Países como Alemanha, Holanda, Dinamarca, Noruega, Suécia e Finlândia entendendo a importância da formação de sua juventude, de acordo com suas vocações pessoais, tem construído uma geração mais capaz e feliz com suas ocupações

Mas qual o caminho para os EUA voltar ao jogo, como grande player? Como fazer o 1% da sociedade norte-americana que detém 40% das riquezas participar com responsabilidade social nesse momento? São perguntas que o livro pretende responder, perpassando pelo aumento de impostos, participação da sociedade civil, e melhor direcionamento dos gastos do Estado, que precisa ver o combate à pobreza como princípio alavancador da economia, e os gastos com educação e saúde como investimentos supra-necessários frente à todos os outros. Há também duras críticas à política lobista tradicional nos EUA.

Será que podemos aprender e exigir algumas dessas ações no Brasil? Para Sachs a realidade aqui é outra, nossa carga tributária já é alta e razoavelmente dimensionada entre ricos e pobres, sendo assim, concluímos que cabe apenas às políticas de governo serem realizadas de forma adequada, visando a diminuição da pobreza, ampliação da classe média, educação de qualidade para todos, saúde competente, investimentos em infra-estrutura, ou seja, que o dinheiro seja gasto/investido de forma justa. Sachs também alerta para a corrupção, que destrói oportunidades da sociedade.

Façamos pois nossa parte aqui no Brasil, esclarecendo nossas mentes, e buscando apoiar políticos absolutamente comprometidos com as causas necessárias ao nosso país, pois enquanto votarmos nos mais carismáticos, eles irão continuar a esquecer do que importa e nos roubar com belos sorrisos.

Fontes:

Reblogado em:

http://semeadordeletras.wordpress.com/2012/03/22/o-preco-da-civilizacao/

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